The Pacific e o preço da guerra

14 set

The PacificA dupla Steven Spilberg e Tom Hanks, dando continuidade em sua parceria, lançou este ano a minissérie The Pacific. A superprodução de 10 capítulos consumiu US$ 230 milhões e é de impressionar pelos detalhes e efeitos especiais que tornam  a série muito realista. Mais de 4 mil empregos foram gerados com a minissérie. Cenários foram recriados na Austrália, uma praia inteira foi desmatada, chamuscada, bombardeada e totalmente reconstruída.

The Pacific retrata um dos conflitos mais cruéis da humanidade – as batalhas no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial – com base, principalmente, nos fatos contados nos livros “With the Old Breed” e “Helmet for My Pillow”, dos fuzileiros Eugene Sledge e Robert Leckie, respectivamente, e na história do herói de guerra John Basilone. O enredo segue os membros da Primeira Divisão de Infantaria da Marinha durante as batalhas de Guadalcanal, Okinawa e Iwo Jima. Da mesma forma que fizeram em Band of Brothers, no início de cada capítulo são mostrados depoimentos de veteranos e imagens reais da época, dando ainda mais veracidade e drama aos episódios.

É o contraponto ao romantismo das produções sobre a guerra na Europa. Os soldados norte-americanos que embarcavam para o Pacífico não imaginavam o que encontrariam lá. O que esses homens viveram e como eles voltaram de lá é muito diferente do que aconteceu com os combatentes que lutaram na Europa. Além do combate interminável com os japoneses e das perdas, aqueles homens tiveram que enfrentar a selva, o abatimento, a chuva incessante, o barro, os insetos, a malária, a sede e a fome durante meses seguidos, praticamente sem folgas.

As batalhas no Pacífico se diferenciavam também pela postura dos japoneses. Para eles, era vitória ou morte. Eles lutavam até o fim, a qualquer preço, em nome do imperador. Era questão de honra. Não se rendiam jamais. E faziam armadilhas cruéis, utilizando suas próprias mulheres e crianças carregadas de bombas como iscas para os inimigos. Era algo inimaginável. Depois de ver algumas cenas como essas é até possível entender o que motivou os bombardeios atômicos em Hiroshima e Nagasaki (não que eu concorde com nada disso!):  uma invasão das forças armadas norte-americanas no Japão causaria um número muito maior de mortes e provavelmente dizimaria quase toda a população japonesa.

CombatentesA abertura da minissérie, muito bem feita, mostra uma simples linha riscada por um grafite dando origem a uma complexa pintura, que depois volta a ser um simples traçado. É o que mostra a série – homens simples envolvidos em algo grandioso, mas que precisam voltar às suas vidas normais depois de anos de conflito. E como voltar a ser alguém normal depois de presenciar e participar de tamanho horror?

A narrativa foca o lado emocional dos soldados, mostrando como eles encaravam a guerra, o medo e a morte iminente. Numa guerra, o ser humano conhece o seu melhor e seu pior lado. Muitos novatos, chegam na guerra com sua inocência de 18 anos e saem de lá como se tivessem envelhecido mais de 20. Eu não sei como eles conseguiram seguir com suas vidas depois da guerra, mas com certeza, levaram muitas cicatrizes na alma.

Logo no primeiro episódio, depois de uma batalha onde os fuzileiros americanos dizimaram centenas de japoneses, aparece Robert Leckie contemplando aquela pilha de corpos. Ele chega perto de um deles, revira suas coisas e encontra uma carteira onde o japonês carregava a foto da mãe. E então se dá conta que os inimigos são pessoas como ele e seus companheiros. Leckie fica mortificado, mas continua a batalha, não mais por um ideal, mas pela sua própria sobrevivência e de seus irmãos de guerra.

É isso que Spilberg e Hanks tentam focar na minissérie: qual é o preço pago por esses homens para vencer a guerra? Valeu a pena? O valor moral e sentimental para os soldados é incalculável.

The Pacific é uma minissérie grandiosa, detalhista, muito bem feita, realista, fantástica. Mas, como todos os filmes de guerra, é muito triste. Chorei em todos os episódios. É de dar nó na garganta.

Tom Hanks, em entrevista durante o lançamento da série, causou polêmica quando disse: “Na Segunda Guerra Mundial, víamos os japoneses como ‘amarelos com olhos puxados’ que acreditavam em vários deuses. Eles queriam nos matar porque nosso estilo de vida era diferente. E nós, em resposta, quisemos aniquilá-los porque eles eram diferentes. Soa familiar ao que ocorre hoje em dia?”. É isso aí. Será que o ser humano nunca vai mudar, nem aprender com os erros?

Vejam o trailer abaixo:

Uma resposta to “The Pacific e o preço da guerra”

Trackbacks/Pingbacks

  1. O preço da guerra em “The Pacific” « Rock, Livros e Pipoca! - 14/09/2010

    […] Tom Hanks 0 Voltando ao tema sobre filmes de guerra, assisti recentemente na TV a minissérie The Pacific. Chorei litros ao ver cenas tão realistas do quanto sofreram tantos homens nas batalhas do […]

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